Tenho poucos pensamentos... poucos são originais... Alguns sendo originais são impraticáveis... Outros de tanto pensar quase me deixam sem força... Esgotam-se noutros pensamentos que os assimilam indevidamente ao ponto de já não saber o que pensar... Com tudo isto penso que posso dar a entender que sou entrelaçado e que me encerro em complicações... Faz-me rir tal ideia... Na verdade, a minha mente é bastante prosaica... A satisfação que a encerra é simples, porém dificilmente a encontro... Inúmeras vezes opto por não partilhar o que sinto, pois não tenho a capacidade de exteriorizar exactamente o que meu pensamento originou... Falo disso com alguém que me compreende e me diz tudo o que o meu pensamento gerou de forma assertiva... Dou meu aval sorridente. É efémero no entanto, dura aquele curto hiato temporal... Imediatamente, volto a uma disfarçada entropia que a todos consome... O sentimento, a percepção do mais vulgar, do mais comum em nós... A capacidade de pensar... "Mas de que serve a inteligência se não tens inteligência para a usar com inteligência? - Pergunta Vergílio Ferreira e muito bem... Não sei como vim aqui parar... Até ao momento só quis uma coisa, menosprezando tudo o resto, até a mim... Pobre imbecil... Não que me sinta idiota... Longe disso... Mas... quando realmente paro para pensar... para ter consciência de mim... fico frustrado... por tantas vezes me ter esquecido do meu "eu"... E não ter conseguido mostrar que sou muito mais do que possa ter parecido... Será que todos nos sentimos assim?! Muito provavelmente... Sei que a vida é feita de momentos e desespero quando não me vi capaz de os agarrar… Terei outros, certamente, se tiver sorte... Mas onde íamos? Sim, partilhar o que sinto... Acho que não tenho essa capacidade...Tenho no entanto essa necessidade, mas sinto-me um orangotango a verbalizar e todas as minhas histórias se parecem tão prosaicas... Tivesse eu histórias dignas para contar... Até acho que tenho algumas... Certo estou que há uma vontade intrínseca ao Ser de partilha... de desabafar, de exortar o que lhe vai na alma... Certo estou também, que, até bem pouco tempo... dei tudo, partilhei tudo o que era meu a alguém... e só reparei que não me tinha a mim quando me vi diante ou até mesmo lado a lado de algo extraordinariamente belo... O prólogo de algo que poderia ser uma verdadeira historia... pelo menos para mim… talvez eu tenha morrido... - Conhece-te a ti mesmo antes de quereres conhecer alguém... Devia ter tido esse pensamento prévio... Mas eu nem sabia onde estava... Quer dizer eu sei… Estava completamente perdido… Na verdade, sempre achei que ninguém conhece ninguém realmente, mas há pessoas que queremos conhecer de tal forma que… (…) Engraçado como guardamos tão-pouco para nós mesmos... Dar é uma forma de conhecer… (…) Joana, outro dia, disse-me que estava farta de "abrir as pernas" a quem lhe faz chorar e que não acredita no amor correspondido, pois há sempre qualquer coisa, há sempre qualquer coisa... Joana, tem a minha idade, seja ela qual for, certo é que eu cá para mim penso: "Já não sinto vontade de mudar o mundo..." Talvez o mundo nos mude... Certo também estou disso, apesar de me sentir sempre o mesmo... Eu devia ser mais simpático comigo mesmo! Isso sim! Deveria ser... Sou mais simpático com os outros do que comigo... Mas voltando a Joana... dizia ela... que à medida que vai crescendo, maturando, se sente mais fria, menos seduzida pela subtileza da vida... Mais fraca e mais dada... Vivia pois uma relação sem brilho… "Os desgostos atravancam-se na nossa alma de tal forma que a certa altura nos vendemos... corpo e alma..." …Talvez ela tenha razão… Eu não sei, mas sempre amei de mais, sempre sofri de mais sem sequer saber o que é o amor… No entanto acredito nele… reflectindo que talvez ele não seja assim tão lírico… Talvez não seja… há sempre qualquer coisa… qualquer coisa que… "If we only understood..."
Deixarei de pensar...
— EC — Etiquetas: Pensamentos
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as pessoas complicam muito o que devia ser simples
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